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APAGÃO SÓ POUPOU 8 ESTADOS
Medo, dúvida, confusão e transtorno para 60 milhões de brasileiros afetados pelo apagão que atravessou madrugada. Nossos repórteres percorreram as principais cidades para mostrar como o país passou esta noite na escuridão.
22h13. As ruas de 800 cidades do país ficaram sem luz. Das janelas dos prédios, brasileiros ainda tentavam entender o que estava acontecendo. Até o Cristo Redentor no Rio estava no escuro. Nossos repórteres acompanharam de perto os transtornos causados pelo apagão.
A luz só vinha dos faróis dos carros. Os monitores do maior centro de controle de tráfego do país ficaram apagados. "Estamos trabalhando com a telefonia e com os rádios", diz um dos técnicos. Quinhentos homens da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo foram para as ruas.
Às duas horas da manhã, nos Jardins, um bairro nobre de São Paulo, técnicos funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego trabalhavam para controlar o trânsito no cruzamento de duas avenidas importantes da cidade.
Os motoristas estavam assustados. “A gente tem que tomar cuidado principalmente nas travessias”, comenta uma motorista.
No interior paulista um motoqueiro perdeu o controle, se acidentou e foi levado para o hospital. Um carro que subia numa avenida não viu um carro escuro estacionado e acabou batendo.
Os transportes pararam: ônibus elétricos, trens, metrô saíram de circulação. Os passageiros se refugiaram nas estações que eram iluminadas por geradores.
Quem procurou atendimento médico num posto de saúde na Baixada Fluminense foi surpreendido pelo apagão e passou a noite no local, para não se arriscar na voltar para casa por causa da escuridão.
As equipes de resgate se desdobraram para socorrer as vítimas do apagão. Na Baixada Santista, os bombeiros retiraram duas pessoas que estavam presas elevador.
Mas a situação mais dramática foi em Bauru, interior de São Paulo. Cinco crianças que estavam na UTI de uma maternidade tiveram que ser transferidas às pressas para outro hospital.
Um outro bebê em estado mais grave, por causa de um problema renal, não pode ser transferido e os médicos montaram um esquema de emergência. Usaram até um gerador emprestado para manter a criança a salvo.
Houve reforço na segurança pública nas principais capitais brasileiras. Durante o apagão uma mulher foi morta em uma tentativa de assalto. Ela estava com uma amiga que ficou sem transporte e não tinha como voltar pra casa.
As duas foram surpreendidas por um assaltante. O bandido atirou duas vezes e um dos tiros atingiu o pescoço de Maria Amélia Taiana.
Enquanto na maior parte dos bairros do Rio de Janeiro e da região metropolitana o abastecimento foi reestabelecido aos poucos, no centro do Rio, mais de três horas depois do início do blecaute, tudo continuava às escuras.
A luz começou a voltar aos poucos. O sistema só foi religado totalmente no fim da madrugada quando os bares ainda estavam lotados e a volta da energia foi muito comemorada.
Mas os reflexos do apagão continuaram pela manhã. Os trólebus, movidos a energia elétrica, estavam parados. Com alguns sinais ainda sem funcionar e com o rodízio suspenso, o trânsito ficou complicado em ruas de São Paulo.
Com o apagão todas as estações de tratamento de água de São Paulo pararam de funcionar. Segundo a Sabesp, mesmo com a energia restabelecida, o sistema demora a voltar ao normal porque a água tem que percorrer caminhos longos dentro das tubulações.
Postado Por: Filipe Bastos
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